Residência CTBMF UFRGS 2027: o que mais caiu nas provas de 2017 a 2025

Escrito por Dr. Marconi Tavares em

Residência CTBMF UFRGS 2027: a prova para ingresso na Residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da UFRGS está marcada para 12 de setembro de 2026. Para quem chega à reta final, conhecer o histórico de cobrança pode ajudar a distribuir melhor o tempo — sem transformar frequência passada em previsão da próxima prova.

Para responder com dados, a SCIORA consolidou e classificou 196 questões específicas de CTBMF aplicadas entre 2017 e 2025. A análise mostra forte concentração em núcleos tradicionais da especialidade e uma mudança relevante nos anos recentes: patologias ganharam peso e conteúdos transversais passaram a ocupar parcela maior da cobrança.

Análise SCIORA em números

196 questões • 2017–2025 • 9 anos de histórico • 21,9% Patologias • 16,3% Trauma • 13,8% conteúdos transversais

Frequência histórica não é previsão. Os dados descrevem as provas anteriores da UFRGS e servem para orientar prioridades dentro do conteúdo da seleção, não para excluir assuntos ou prever questões.

Como será o processo seletivo da Residência CTBMF UFRGS 2027?

O processo seletivo atual integra o RIS/UFRGS 2027. Para Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, estão previstas duas vagas, e a prova está marcada para 12/09/2026, em Porto Alegre.

O conteúdo específico atual contempla sete grandes eixos de CTBMF: ATM, deformidades dentofaciais, retenções dentárias, traumatologia, patologias, infecções bucomaxilofaciais e técnicas anestésicas. Informações de cronograma devem sempre ser conferidas nos comunicados oficiais até o dia da prova.

Para informações objetivas do processo seletivo, consulte também a página da UFRGS na SCIORA.

Como a SCIORA analisou as provas anteriores da UFRGS?

A análise foi construída a partir de 196 questões específicas de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, abrangendo o período de 2017 a 2025 consolidado no Banco Mestre SCIORA.

Cada questão foi classificada, conforme aplicável, por eixo, tema e subtema. Nos conteúdos transversais, também foram registradas referência-base e capítulo ou seção quando essa associação pôde ser estabelecida de forma segura.

Para avaliar mudanças ao longo do tempo, os nove anos foram divididos em três períodos: 2017–2019, 2020–2022 e 2023–2025. Assim, é possível diferenciar o que é frequente no histórico completo daquilo que também permanece relevante nas provas mais recentes.

O que mais caiu na prova de CTBMF da UFRGS entre 2017 e 2025?

EixoQuestõesFrequência
Patologias bucomaxilofaciais4321,9%
Fraturas / Traumatologia3216,3%
Conteúdos transversais2713,8%
Retenções dentárias2211,2%
Técnicas anestésicas2010,2%
Deformidades dentofaciais2010,2%
ATM168,2%
Infecções bucomaxilofaciais168,2%
Total196100%

O primeiro resultado importante é a liderança de patologias bucomaxilofaciais, responsável por aproximadamente uma em cada cinco questões específicas analisadas.

Patologias e traumatologia, juntas, somam 75 das 196 questões, ou aproximadamente 38,3% de todo o histórico.

Os sete eixos explicitamente contemplados no edital atual concentram 169 questões, ou 86,2% da base histórica. Os 13,8% restantes correspondem a conteúdos transversais importantes para a formação e a prática em CTBMF.

Como a banca mudou nos últimos anos?

Observar apenas o total acumulado de nove anos pode esconder mudanças recentes. A comparação entre os três triênios evidencia movimentos importantes:

Eixo2017–20192020–20222023–2025
Patologias141019
Fraturas / Trauma111110
Retenções976
Deformidades686
ATM376
Infecções853
Anestesia686
Conteúdos transversais41013

Patologias ganharam espaço

Entre 2023 e 2025, patologias responderam por 19 questões, correspondendo a 27,5% da cobrança específica desse triênio. Além de liderar o histórico completo, o eixo apresentou participação particularmente elevada nas provas recentes.

Os conteúdos transversais cresceram

Os conteúdos transversais passaram de 4 para 10 e depois para 13 questões nos três períodos analisados. No triênio 2023–2025, chegaram a 18,8% das questões específicas.

Em sentido contrário, infecções bucomaxilofaciais apresentaram 8, 5 e 3 questões nos três triênios e representaram 4,3% do período mais recente. Isso não significa abandonar o tema: ele continua explicitamente previsto no edital.

Quais temas merecem maior prioridade?

Uma estratégia racional precisa combinar edital atual, histórico completo e comportamento recente.

Patologias ocupam posição central. Fraturas e traumatologia também permanecem muito relevantes porque combinam alta frequência histórica com estabilidade temporal: foram 11, 11 e 10 questões nos três triênios.

Retenções dentárias, anestesia e deformidades dentofaciais formam outro grupo de grande importância histórica. ATM apresenta volume acumulado menor, mas cresceu em relação ao primeiro triênio. Infecções exigem revisão porque fazem parte do edital, apesar da queda recente.

Por que os conteúdos transversais importam?

Das 196 questões analisadas, 27 foram classificadas como conteúdos transversais ao edital atual.

Conteúdo transversalQuestões% dos transversais
Princípios de cirurgia / exodontia / cirurgia oral933,3%
Avaliação pré-operatória / risco sistêmico829,6%
Anatomia da cabeça e pescoço725,9%
Terapêutica medicamentosa13,7%
Biossegurança / controle de infecção13,7%
Implantodontia / cirurgia pré-protética13,7%

Somando princípios cirúrgicos, avaliação pré-operatória e anatomia, temos 24 das 27 questões transversais, ou 88,9% desse grupo. Portanto, “transversal” não significa uma coleção imprevisível de assuntos aleatórios: historicamente existe forte concentração em fundamentos necessários à prática cirúrgica.

Quais subtemas apareceram mais?

SubtemaQuestões
Técnicas anestésicas9
Técnicas cirúrgicas9
Tratamento cirúrgico8
Tratamento conservador8
Trauma de tecidos moles8
Cirurgia parendodôntica6
Farmacologia6
Cistos5
Glândulas salivares5
Côndilo mandibular4
Tumores odontogênicos4

No recorte 2023–2025, destacam-se cirurgia parendodôntica, cistos, tratamento cirúrgico e trauma de tecidos moles, todos com três questões. Também aparecem anatomia aplicada, doenças imunomediadas, doenças infecciosas, farmacologia, tumores odontogênicos, técnicas anestésicas e técnicas cirúrgicas.

Esses números não devem ser convertidos em uma lista de “assuntos que vão cair”. Eles mostram onde a prova historicamente concentrou parte de sua atenção.

Como estudar usando os livros-base?

Na reta final, tentar reler livros inteiros tende a ser pouco eficiente. A análise histórica pode ser usada para direcionar capítulos e seções relacionados às lacunas identificadas nas questões.

Hupp — Cirurgia Oral e Maxilofacial Contemporânea, 7ª edição

Na classificação SCIORA, o Hupp foi utilizado como referência estrutural principalmente para avaliação pré-operatória, princípios de cirurgia, reparo de feridas, controle de infecção, instrumental, exodontias e dentes impactados. É particularmente útil para revisar o núcleo dos conteúdos transversais cirúrgicos e retenções dentárias.

Malamed — Manual de Anestesia Local, 7ª edição

O Malamed foi adotado como referência estrutural para técnicas anestésicas e farmacologia dos anestésicos locais. Com 20 questões no eixo de anestesia e técnicas anestésicas entre os subtemas mais recorrentes, é um bloco que merece revisão dirigida.

Andrade — Terapêutica Medicamentosa em Odontologia, 3ª edição

A obra foi utilizada para estruturar farmacologia, prescrição e manejo medicamentoso de pacientes especiais. A revisão deve relacionar farmacologia às decisões clínicas no contexto cirúrgico.

Referências específicas

Para traumatologia, patologias, deformidades dentofaciais, ATM e outros conteúdos específicos, a base utiliza referências como Miloro/Peterson, Fonseca, Neville e White, conforme o tema. Em anatomia, a SCIORA optou por não atribuir capítulos quando referência e edição oficiais não estavam confirmadas: precisão da fonte é mais importante que uma indicação bibliográfica aparentemente completa, mas não verificável.

Ranking prático de prioridades para CTBMF UFRGS

  1. Prioridade muito alta: patologias bucomaxilofaciais; fraturas e traumatologia.
  2. Prioridade alta: princípios cirúrgicos e transversais de maior recorrência; retenções dentárias; técnicas anestésicas; deformidades dentofaciais.
  3. Prioridade intermediária-alta: ATM.
  4. Revisão obrigatória, mesmo com queda recente: infecções bucomaxilofaciais.

Esse ranking não representa probabilidade calculada de cobrança em 2026. É uma ferramenta para organizar o tempo a partir do histórico analisado.

Estratégia para as semanas finais antes da prova

1. Não tente reaprender toda a especialidade

Use o edital como limite e a estatística como instrumento de priorização.

2. Dê peso ao que é simultaneamente frequente e recente

Patologias merecem atenção especial porque combinam liderança histórica com crescimento recente. Traumatologia merece atenção pela consistência observada nos três triênios.

3. Não ignore os fundamentos

O crescimento dos conteúdos transversais é um dos achados mais importantes da análise. Revisar apenas os grandes títulos do edital e negligenciar princípios cirúrgicos, avaliação pré-operatória e anatomia pode deixar uma lacuna relevante.

4. Resolva novamente questões da própria UFRGS

Na reta final, reconhecer a forma como as provas anteriores construíram alternativas e contextualizaram decisões pode ser mais produtivo que simplesmente aumentar o volume de leitura. Ao errar, volte ao livro-base para resolver aquela lacuna específica.

5. Mantenha cobertura mínima de todo o edital

Estatística serve para decidir onde aprofundar, não o que eliminar. Uma área com baixa frequência histórica continua podendo aparecer na próxima prova.

Checklist gratuito para a reta final UFRGS

Leve esta análise para a prática. A SCIORA preparou um checklist com prioridades de revisão e um plano objetivo para os últimos dias antes da prova.

O material é gratuito. O download é liberado após cadastro de nome e e-mail.

Conclusão: o que os dados realmente permitem dizer?

A análise de 196 questões mostra três características importantes do histórico de CTBMF da UFRGS. Primeiro, existe concentração relevante em patologias e traumatologia. Segundo, alguns eixos apresentam comportamento relativamente estável, enquanto outros variaram ao longo dos anos. Terceiro, os conteúdos transversais aumentaram sua participação nas provas recentes.

A melhor utilização desses dados não é tentar adivinhar a prova de 12 de setembro. É tomar decisões melhores sobre como distribuir um recurso que agora é escasso: o tempo de revisão.

A SCIORA organiza provas, questões e dados históricos para transformar preparação baseada apenas em impressão em preparação orientada por evidências. Aprenda a pensar. Decida com ciência.

Referências

Referências bibliográficas apresentadas em formato Vancouver, utilizando as edições mais atuais publicadas e verificadas na data desta revisão.

  1. Hupp JR, Ellis E III, Tucker MR, editors. Contemporary oral and maxillofacial surgery. 7th ed. St. Louis: Elsevier; 2019.
  2. Malamed SF. Handbook of local anesthesia. 7th ed. St. Louis: Elsevier; 2019.
  3. Andrade ED, organizador. Terapêutica medicamentosa em odontologia. 3ª ed. São Paulo: Artes Médicas; 2014.
  4. Miloro M, Ghali GE, Larsen PE, Waite P, editors. Peterson’s principles of oral and maxillofacial surgery. 4th ed. Cham: Springer; 2022.
  5. Neville BW, Damm DD, Allen CM, Chi AC. Oral and maxillofacial pathology. 5th ed. St. Louis: Elsevier; 2023.
  6. Lam EWN, Mallya SM, editors. White and Pharoah’s oral radiology: principles and interpretation. 9th ed. St. Louis: Elsevier; 2025.

FAQ — Residência CTBMF UFRGS 2027

Quando será a prova da Residência CTBMF UFRGS 2027?

A prova está marcada para 12 de setembro de 2026, em Porto Alegre. O candidato deve acompanhar eventuais comunicados oficiais até a aplicação.

Quantas vagas existem para CTBMF na UFRGS?

O processo seletivo atual prevê duas vagas para Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.

O que mais caiu nas provas de CTBMF da UFRGS?

Na base histórica SCIORA de 196 questões entre 2017 e 2025, o eixo mais frequente foi Patologias Bucomaxilofaciais, com 43 questões (21,9%), seguido por Fraturas/Traumatologia, com 32 (16,3%).

Quantas questões a SCIORA analisou?

A análise consolidada abrange 196 questões específicas de CTBMF aplicadas entre 2017 e 2025.

Patologia deve ser prioridade na reta final?

É o eixo de maior frequência na base histórica e chegou a 19 questões entre 2023 e 2025, ou 27,5% das questões específicas desse triênio. Isso justifica prioridade de revisão, mas não permite afirmar que será o tema mais cobrado na próxima prova.

Vale a pena estudar conteúdos transversais?

Sim. A base contém 27 questões transversais (13,8%), principalmente de princípios cirúrgicos, avaliação pré-operatória e anatomia. No triênio 2023–2025, os transversais chegaram a 18,8% da cobrança específica.

Posso estudar apenas os assuntos mais frequentes?

Não. O histórico deve orientar a distribuição do tempo, não substituir o edital. Um assunto pouco frequente nas provas anteriores continua podendo ser cobrado.

Quais livros devo priorizar?

Depende do eixo. Na estruturação da base SCIORA, Hupp foi referência para princípios cirúrgicos, avaliação pré-operatória, exodontias e dentes impactados; Malamed para anestesia local; Andrade para terapêutica medicamentosa; e obras como Miloro/Peterson, Fonseca, Neville e White foram utilizadas conforme os temas específicos.

A análise estatística prevê o que cairá na prova de 2026?

Não. Frequência histórica não é previsão. A análise descreve padrões observados entre 2017 e 2025 e serve para orientar prioridades dentro do conteúdo da seleção.

Continue estudando com a SCIORA

Acompanhe os processos seletivos de Residência em CTBMF e utilize dados históricos, questões e conteúdos para organizar sua preparação com mais critério.

Dr. Marconi Tavares

Sobre o autor

Dr. Marconi Tavares

Cirurgião Bucomaxilofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

Cirurgião-dentista formado pela FORP-USP, com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e Doutorado pela Universidade de Brasília. Atua na assistência hospitalar, ensino e formação profissional, integrando prática clínica, raciocínio, evidência científica e tomada de decisão.

Comentários

2 respostas a “Residência CTBMF UFRGS 2027: o que mais caiu nas provas de 2017 a 2025”

  1. […] vêm distribuindo os temas específicos de CTBMF, consulte também as análises da SCIORA sobre a Residência CTBMF UFRGS e a Residência CTBMF […]

  2. […] O levantamento, portanto, não permite calcular incidência de temas ou afirmar quais assuntos mais aparecem na FOAr. A ausência de provas públicas não significa que esses documentos não existam em arquivos pessoais ou institucionais; significa apenas que não conseguimos construir um banco verificável equivalente ao utilizado pela SCIORA em análises como USP/FUVEST e UFRGS. […]