Residência CTBMF FOAr/UNESP 2027: formato da seleção, bibliografia e temas relatados por candidata

Escrito por Dr. Marconi Tavares em

A seleção para a Residência em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial da Faculdade de Odontologia de Araraquara — FOAr/UNESP combina uma prova objetiva eliminatória com uma prova escrita dissertativa de peso elevado, avaliação curricular e entrevista por questionário.

Para o ingresso em 2027, a SCIORA reuniu os documentos oficiais atualmente disponíveis, revisou a bibliografia indicada pela instituição e realizou uma busca ampla por provas anteriores. Há, porém, uma limitação essencial: não recuperamos cadernos completos ou questões objetivas suficientes para calcular frequência de temas, recorrência ou percentuais históricos.

Por isso, este artigo não pretende responder “o que mais cai”. O objetivo é mais rigoroso: explicar como funciona a seleção, o que a própria FOAr recomenda como bibliografia e quais temas uma candidata aprovada relatou lembrar da prova discursiva de uma edição anterior.

Atualizado em 27/09/2026.

Residência CTBMF FOAr/UNESP 2027: informações oficiais

O Edital STPG nº 03/2026 regulamenta a seleção para o programa com período letivo de março de 2027 a fevereiro de 2030.

InformaçãoSeleção 2027
InstituiçãoFaculdade de Odontologia de Araraquara — UNESP
ProgramaResidência em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial
Vagas2
Duração3 anos
Carga horária60 horas semanais
RegimeIntegral e dedicação exclusiva
Inscrições01/10 a 30/10/2026
TaxaR$ 250,00
1ª fase03/12/2026 — 8h30 às 10h30
TipoTeste de múltipla escolha
Corte da 1ª fase60% de acertos
2ª fase04/12/2026 — 8h às 11h30
TipoQuestões dissertativas
Nota mínima da escrita5,0
Questionário de entrevistaEnviado em 01/12/2026
Entrega da entrevista04/12/2026, antes da prova escrita
Resultado final13/01/2027
Matrícula28 e 29/01/2027
Início do programa01/03/2027

O edital informa ainda bolsa mensal de R$ 4.106,09, sujeita aos descontos legais e à efetiva liberação das bolsas pelo Ministério da Saúde. O programa totaliza 8.640 horas e exige dedicação integral e exclusiva.

Para acompanhar retificações e mudanças de etapa, consulte também a página específica UNESP 2027 e a Central de Processos Seletivos CTBMF da SCIORA.

Como funciona a seleção da FOAr/UNESP?

1ª fase — prova teste objetiva

A primeira etapa ocorre em 3 de dezembro de 2026 e terá duração de apenas duas horas. O edital define a prova como teste de múltipla escolha. Para seguir no processo seletivo, o candidato precisa obter pelo menos 60% de acertos.

Essa etapa é eliminatória. Há ainda uma particularidade importante para quem procura provas anteriores: o edital estabelece que não será disponibilizado o gabarito da prova teste.

2ª fase — prova escrita

No dia seguinte, 4 de dezembro, os classificados realizam uma prova com questões dissertativas referentes à área do Programa e áreas afins. A duração é de três horas e meia.

A prova escrita é eliminatória e classificatória, com nota mínima 5,0. Segundo o edital, sua correção considera raciocínio, linguagem, quantidade e qualidade das informações e conhecimento demonstrado pelo candidato.

Implicação prática: estudar para a FOAr não é apenas reconhecer alternativas corretas. O candidato precisa treinar a capacidade de construir respostas técnicas, organizadas e justificadas.

A prova escrita tem peso decisivo

A classificação final utiliza os seguintes pesos:

EtapaPeso
Prova escrita5
Avaliação curricular3
Entrevista2

A objetiva funciona como etapa eliminatória para acesso à segunda fase. Já a prova escrita representa metade do peso da composição final. Portanto, uma preparação exclusivamente baseada em questões de múltipla escolha é insuficiente para esta seleção.

Como funciona a entrevista?

Apesar do nome, a entrevista prevista para 2027 não ocorre como uma arguição oral tradicional. O candidato receberá por e-mail, em 1º de dezembro, um questionário de entrevista.

O documento deverá ser preenchido antecipadamente, impresso e entregue em 4 de dezembro, entre 7h45 e 8h, antes do início da prova escrita.

Procuramos as provas anteriores. O que encontramos?

A SCIORA realizou uma busca ampla em fontes oficiais, mecanismos de busca, repositórios de documentos, plataformas acadêmicas, redes sociais, preparatórios e materiais públicos de candidatos.

Foram localizados documentos administrativos relacionados aos ingressos 2020, 2023, 2024, 2025, 2026 e 2027, além de páginas históricas e resultados. Mas não recuperamos:

  • cadernos completos de provas;
  • fotografias autenticáveis de questões;
  • questões objetivas com enunciado e alternativas suficientes para análise;
  • provas discursivas integrais;
  • gabaritos que permitissem reconstrução de uma série histórica.

O levantamento, portanto, não permite calcular incidência de temas ou afirmar quais assuntos mais aparecem na FOAr. A ausência de provas públicas não significa que esses documentos não existam em arquivos pessoais ou institucionais; significa apenas que não conseguimos construir um banco verificável equivalente ao utilizado pela SCIORA em análises como USP/FUVEST e UFRGS.

O que uma candidata aprovada relatou sobre a prova discursiva?

Durante a investigação, localizamos uma entrevista de Laura Santa Rosa ao Revisa Hub, na qual ela relata sua experiência na seleção 2024/2025.

Essa fonte precisa ser interpretada corretamente: trata-se de relato de memória de uma candidata, e não de caderno oficial, reconstrução integral, espelho de correção ou gabarito.

MinutagemTema lembradoO que é possível afirmar
15:33–16:54Alteração condilar e assimetria mandibularRelato de um caso envolvendo diagnóstico e tratamento; hiperplasia condilar, cirurgia ortognática e hipótese de osteocondroma aparecem na discussão do mesmo caso.
16:58–17:05Trauma panfacialRelato de questão solicitando plano de tratamento.
17:09–17:12Prótese de ATMRelato de pergunta relacionada às indicações de prótese articular.

Como interpretar esses relatos sem exagerar a evidência?

O primeiro trecho corresponde a uma única lembrança clínica, embora diferentes assuntos apareçam durante a explicação. Portanto, hiperplasia condilar, osteocondroma e cirurgia ortognática não podem ser contabilizados como três questões diferentes.

A candidata também menciona uma “lâmina”. O material recuperado não permite afirmar que se tratava de uma imagem radiológica, nem estabelecer qual diagnóstico era considerado correto pela banca.

No caso do trauma panfacial, não conhecemos o padrão completo das fraturas e, portanto, não seria correto reconstruir uma sequência cirúrgica como se fosse a resposta oficial.

Há ainda um trecho entre aproximadamente 17:12 e 17:18 que pode fazer referência ao tratamento de fissura labial, mas a transcrição automática é imprecisa. Por isso, a SCIORA optou por não incluí-lo entre os três relatos confirmados.

Qual é a bibliografia indicada pela FOAr/UNESP?

O edital informa que a bibliografia recomendada pelo Programa está disponível no site da Faculdade. A lista atualmente vinculada à seleção pode ser consultada no PDF oficial da FOAr.

Durante nossa auditoria também foi localizada uma lista revisada de 2018. Ela não é idêntica à lista atualmente vinculada. Por isso, a lista antiga não deve ser tratada automaticamente como bibliografia de 2027.

Bibliografia sugerida não é estatística de incidência. A presença de um tema ou livro na lista mostra que ele faz parte do universo recomendado pela instituição, mas não comprova com que frequência aparece nas provas.

Bibliografia organizada por eixos de estudo

EixoReferências presentes na lista atualmente vinculada
Cirurgia ortognática e deformidades dentofaciaisAraújo; Bell; Epker & Fish
ATM e côndilo mandibularDolwick & Sanders; Kleinheinz & Meyer; Flores
Traumatologia e fixaçãoFonseca & Walker; Rowe & Williams; Prein
Acessos cirúrgicosEllis & Zide
Reconstrução maxilofacial e craniofacialFonseca & Davis; McCarthy
Implantodontia, enxertos e seio maxilarDinato & Polido; Jensen; Rosa; McGowan
Cirurgia oral e princípios de CTBMFPeterson e colaboradores; Kruger; Sailer & Pajarola; Miloro e colaboradores
Infecções odontogênicasTopazian & Goldberg; tratados gerais de cirurgia
Patologia e diagnósticoEversole
Anestesia e emergências médicasMalamed; Andrade & Ranali
Complicações cirúrgicasKaban e colaboradores; Miloro & Kolokythas
Harmonização orofacialTodesco
Toxina botulínicaKane & Sattler
Laser em OdontologiaGarcia & Theodoro
Ancoragem ortodôntica por miniplacasSverzut

A lista inclui também obras abrangentes de cirurgia bucomaxilofacial. A amplitude bibliográfica reforça que o candidato não deve restringir a preparação a um único núcleo da especialidade.

Como estudar para a prova objetiva da FOAr?

Sem provas anteriores suficientes, não existe base responsável para recomendar que o candidato abandone partes da bibliografia porque determinado conteúdo “quase não cai”.

  1. Consolide os fundamentos de CTBMF: cirurgia oral, infecções, trauma, patologia, anestesia, anatomia e complicações.
  2. Cubra os núcleos específicos presentes na bibliografia: deformidades dentofaciais, ortognática, ATM, acessos, reconstrução e implantodontia.
  3. Treine velocidade: a objetiva tem duas horas e exige no mínimo 60% de acertos.

O corte de 60% deve ser tratado como mínimo eliminatório, e não como meta de preparação.

Como se preparar para a prova discursiva

Na discursiva, reconhecer a alternativa correta não basta. O candidato precisa transformar conhecimento em uma resposta compreensível e defensável.

1. Diagnóstico ou hipótese principal

Comece identificando claramente o problema apresentado. Quando os dados forem insuficientes para um diagnóstico definitivo, explicite hipóteses e diagnóstico diferencial.

2. Justificativa

Mostre quais dados clínicos, imaginológicos, anatômicos ou laboratoriais sustentam seu raciocínio.

3. Objetivos do tratamento

Antes de listar procedimentos, estabeleça o que precisa ser resolvido. Em trauma, por exemplo, isso pode envolver função, oclusão, estabilidade e anatomia. Em deformidades dentofaciais, diagnóstico e objetivos ortodôntico-cirúrgicos precisam conversar entre si.

4. Planejamento

Organize a sequência lógica das etapas. Evite transformar a resposta em enumeração desordenada de procedimentos.

5. Discussão da conduta

Quando pertinente, explique alternativas, indicações, limitações, riscos e possíveis complicações.

6. Conclusão

Finalize respondendo diretamente ao que foi perguntado.

Importante: esta estrutura de resposta é uma proposta autoral da SCIORA para treinamento. Não corresponde a um espelho de correção recuperado da FOAr/UNESP.

Quais temas priorizar na revisão?

Aqui é essencial separar prioridade prática de revisão de frequência histórica. A SCIORA não possui dados para criar ranking de incidência na FOAr.

Como orientação qualitativa, faz sentido garantir domínio de deformidades dentofaciais, cirurgia ortognática, alterações condilares e ATM, porque estão representadas tanto na bibliografia atual quanto no relato recuperado da candidata. Traumatologia facial, especialmente o raciocínio de planejamento em situações complexas, também merece treinamento pela combinação entre bibliografia e relato.

Ao mesmo tempo, devem permanecer na preparação acessos cirúrgicos, cirurgia oral, infecções odontogênicas, patologia e diagnóstico, reconstrução, enxertos, implantodontia, anestesia, emergências e complicações.

E há um grupo que não deve ser ignorado apenas por parecer menos tradicional em um processo de residência: harmonização orofacial, toxina botulínica, lasers e ancoragem ortodôntica com miniplacas aparecem na lista atualmente vinculada pela instituição. Isso não significa que cairão na prova; significa que fazem parte do universo bibliográfico recomendado.

Perguntas frequentes

Quantas vagas a FOAr/UNESP oferece para CTBMF em 2027?

O edital apresenta duas vagas, com três anos de duração e 60 horas semanais em dedicação exclusiva.

Quando serão as inscrições?

De 1º a 30 de outubro de 2026, exclusivamente pela internet.

Quando será a prova objetiva?

Em 3 de dezembro de 2026, das 8h30 às 10h30.

Qual é o mínimo para passar na primeira fase?

É necessário obter 60% de acertos.

Quando será a prova discursiva?

Em 4 de dezembro de 2026, das 8h às 11h30, com duração de três horas e meia e nota mínima 5,0.

A prova escrita é importante para a classificação?

Sim. Ela tem peso 5, enquanto currículo tem peso 3 e entrevista peso 2.

A FOAr divulga o gabarito da prova objetiva?

O edital estabelece que não será disponibilizado o gabarito da prova teste.

Existem provas anteriores disponíveis?

A SCIORA realizou busca pública ampla, mas não recuperou até o fechamento deste levantamento um conjunto de cadernos que permita análise histórica confiável.

Os temas relatados pela candidata são questões oficiais?

Não. São lembranças relatadas em entrevista e devem ser tratadas como fonte de memória, não como reprodução oficial da prova.

A bibliografia permite prever o que vai cair?

Não. Ela mostra o conteúdo recomendado pela instituição, mas não fornece frequência ou probabilidade de cobrança.

Continue a preparação na SCIORA

Cada seleção de Residência CTBMF tem estrutura própria. Na USP/FUVEST e na UFRGS, a disponibilidade de provas anteriores permitiu construir análises históricas quantitativas. Na FOAr/UNESP, a evidência disponível exige uma abordagem diferente: compreender bem o formato seletivo, a bibliografia e a produção de respostas discursivas.

Compare também com os artigos documentais da SCIORA sobre UEM 2027 e UNIOESTE 2027.

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A SCIORA acompanha editais, inscrições, etapas, resultados e novos materiais de processos seletivos de Residência em CTBMF em todo o Brasil.

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Fontes e referências

  1. Faculdade de Odontologia de Araraquara — UNESP. Edital STPG nº 03/2026. Processo seletivo para o Programa de Residência em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, período março de 2027 a fevereiro de 2030.
  2. FOAr/UNESP. Bibliografia sugerida vinculada ao Programa de Residência em CTBMF.
  3. Revisa Hub. Entrevista com Laura Santa Rosa — aprovada na UNESP Araraquara. Trechos analisados aproximadamente entre 15:33 e 17:12.
  4. SCIORA. Levantamento documental FOAr/UNESP CTBMF. Pesquisa pública encerrada em 27/09/2026.

Se a SCIORA recuperar futuramente um corpus suficiente de provas ou reconstruções confiáveis, este conteúdo poderá ser ampliado com uma análise histórica separada.

Dr. Marconi Tavares

Sobre o autor

Dr. Marconi Tavares

Cirurgião Bucomaxilofacial • Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial • Doutor pela Universidade de Brasília

Cirurgião-dentista formado pela FORP-USP, com Residência e Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e Doutorado pela Universidade de Brasília. Atua em assistência hospitalar, ensino e formação de residentes, integrando prática clínica, raciocínio, evidência científica e tomada de decisão.

Comentários

Uma resposta para “Residência CTBMF FOAr/UNESP 2027: formato da seleção, bibliografia e temas relatados por candidata”

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